Empresas B e a nova economia

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"No final de 2014, quando a Natura apresentou a Visão Natura 2050 e celebrou sua certificação como Empresa B, Guilherme [Leal, um dos sócios-controladores] disse que a Natura havia escolhido participar da recuperação do planeta", lembrou Marcel Fukayama, um dos principais responsáveis pela vinda do movimento das Empresas B para o Brasil, no evento “Diálogos sobre a nova economia”, promovido pela Natura e pelo Sistema B. "Isso é muito poderoso, porque redefine o papel das empresas na sociedade", completou Marcel.

Empresas B são companhias que usam os negócios que fazem para provocar impactos sociais e/ou ambientais positivos. Para ter a certificação concedida no Brasil por uma entidade chamada Sistema B, passam por um processo complexo de análise de todos os aspectos de suas operações. "São empresas que saem do campo das intenções para firmar compromissos", definiu Marcel. "São empresas que estão mostrando que é possível fazer mais, é possível fazer melhor, mas sobretudo é possível fazer diferente. Nosso papel como Sistema B é facilitar o crescimento e o fortalecimento desta comunidade global." Existem hoje 2.800 Empresas B em mais de 50 países. Só na América Latina, são mais de 300. No Brasil, há 85 Empresas B certificadas.

Outro campo de atuação do Sistema B é batalhar pela criação de legislações específicas para empresas que têm um propósito mais definido, mais transparência e mais responsabilidade - nos moldes do que já existe há alguns anos nos Estados Unidos, para as Benefit Corporations. A Itália, no ano passado, tornou-se o primeiro país a aprovar esse tipo de legislação, depois dos Estados Unidos. Hoje mais de 15 países trabalham para implantar leis desse tipo. No Brasil, o Sistema B e o Grupo Jurídico B trabalham num projeto de lei que cria o que chamam de Sociedade de Benefício. É uma forma de apoio ao empresário que quer institucionalizar essa alternativa de criar uma empresa sob uma nova forma de fazer negócios e causar impacto positivo.

A Natura foi a primeira empresa de capital aberto a se tornar uma Empresa B certificada. Poucos meses depois, uma Empresa B de Nova York fez o caminho oposto, tornando-se a primeira do gênero a abrir capital na Nasdaq. Em fevereiro deste ano, a Laureate, que se estruturou nos Estados Unidos como uma Benefit Corporation, também abriu capital na Nasdaq. É o que Marcel chama de caminhada das Empresas B rumo ao mainstream. 

 

Resgate sua vida da tecnologia e foque no que importa

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Semanas atrás o amigo e ex-colega Guilherme Felitti me contou que ouviu no Vox um podcast com um pesquisador chamado Cal Newport, que explora o conceito de "deep work". Por incrível que pareça, não conhecia o Newport - mas agora já estou lendo o livro dele chamado justamente "Deep Work" e achando muito interessante. No podcast em questão, Newport discute como resgatar a sua vida da tecnologia e focar no que importa, recuperando sua "aptidão cognitiva" e assumindo o controle de seu tempo. É uma conversa com o titular do podcast, Ezra Klein, postada em 21 de abril.

Klein começa contando que Deep Work mudou sua vida "pela mais literal das razões". Ou seja, mudou o modo como ele vive a sua vida. "Particularmente, me levou a parar de agendar reuniões matutinas e a preservar esse tempo para um trabalho mais sustentado e criativo", diz ele. Exatamente uma das sugestões apresentadas em meu livro Rotinas Criativas, no capítulo sobre "manhãs criativas". Newport, porém, tem um interesse mais agudo em como o ambiente digital que habitamos nos treina para desperdiçar concentração e estimular a distração "de maneiras que são ruins para nossas mentes, ruins para o nosso trabalho e, finalmente, ruins para o mundo".

Bem-estar e produtividade

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Por que bem-estar tem tudo a ver com produtividade? Wanda Krause, consultora e professora de liderança, responde em um artigo para o Thrive Global de Arianna Huffington. Curiosamente ela começa por um ponto que abordo em Rotinas Criativas. "Os países com desempenho mais alto [em produtividade] têm os dias de trabalho mais curtos", escreve Wanda. Sete países no topo do ranking dos maiores PIBs do mundo estão entre aqueles que têm as menores jornadas de trabalho: Luxemburgo, Noruega, Suíça, Holanda, Alemanha, Dinamarca e Suécia. "Ainda vivemos em uma cultura de vangloriar-se sobre quão duro trabalhamos e quão pouco dormimos para trabalhar", nota ela. Mas trabalho em excesso está correlacionado a desempenho inferior, enquanto bem-estar tem tudo a ver com produtividade.

Sono, também para Wanda, é um ponto importante. "Existem inúmeros estudos que mostram o impacto do sono adequado durante um período de tempo no desempenho físico", nota ela. O mesmo vale para desempenho mental, como explica o CEO da Amazon, Jeff Bezzos: "Acertar um pequeno número de decisões-chave é mais importante do que tomar um grande número de decisões. Se você encurtar o seu sono, pode obter um par de horas extras 'produtivas', mas essa produtividade pode ser uma ilusão. Quando você está falando sobre decisões e interações, qualidade é geralmente mais importante que quantidade".

Outros componentes do bem-estar vão de propósito a exercícios físicos. "E há uma dimensão crítica para a produtividade - a criatividade", escreve Wanda. Ninguém é criativo por trabalhar muitas horas. Em vez disso, é preciso abrir espaços para que o cérebro possa vagar e para que a pessoa possa refletir. Benjamin Hardy, um psicólogo organizacional que também escreve no Thrive, nota: "O que você faz fora do trabalho é tão importante para a sua produtividade quanto o que você faz no trabalho".

Então, pergunta Wanda, como garantir que a abordagem centrada no bem-estar esteja alinhada com metas de desempenho no trabalho? "Uma forma-chave é criar uma compreensão compartilhada dos benefícios do bem-estar, não só para a própria vida, mas para o aprimoramento daqueles com quem você compartilha a vida, sua equipe e o bem de toda a organização.                                                                            

Entrevista de Alexandre Teixeira no Programa do Jô